• A posição tomista de equilíbrio

    Posted on agosto 1, 2014 by in Artigos

    BLOCO 1 – CONTEXTUALIZAÇÃO


    Capítulo 3 – A posição tomista de equilíbrio

    Vimos que grande parte dos racionalistas, ateus e materialistas negam a existência de um mundo espiritual. A solução, naturalmente, não se encontra em buscar a verdade em legendas fantasiosas e em mitos incoerentes. E, mais concretamente a respeito do tema que nos interessa (os Anjos), existe uma posição de equilíbrio?

    De todos os autores mais proeminentes do Catolicismo, um dos mais famosos é sem dúvida alguma São Tomás de Aquino. Contudo, não são muitos os que sabem que lhe foi dado o título de Doutor Angélico, e poucos sabem porquê. É verdade que ele escreveu várias obras sobre os Anjos, ou sobre outros temas, mas que tratam deles. Mas São Tomás é sobretudo aquele que logrou construir uma estrutura de pensamento admiravelmente sólida, coerente e amplia, como nenhuma outra. Ele parte dos fundamentos da filosofia, da metafísica e da teologia para, pedra sobre pedra, encontrar respostas às interrogações mais variadas sobre os Anjos. É o que nós nos propomos de apresentar aqui.

    Ademais, os raciocínios de São Tomás sobre os Anjos não contam apenas com uma lógica interna; eles formam um todo coeso e lógico com todo o seu pensamento sobre o universo enquanto conjunto; e, claro, sobre o Deus criador que está na origem de tudo isto.

    Com efeito, vimos que descartar a existência dos anjos – como propõem certas correntes antropocêntricas – estabelece um “corte” na consideração da criação como obra de conjunto, e nos induz a uma visão falseada da realidade, que pode chegar a prejudicar a nossa própria compreensão de nós mesmos, e do nosso entorno.

    Em função do universo tomista, a consequência destes “cortes” é dramática. Com efeito, a teologia dogmática e a tradição sempre ensinaram que o homem não foi criado só no mundo, senão que ele foi o último – cronológicamente – a ser criado, inserindo-se assim no hexameron que é constituído numa ordem universal destinada a glorificar seu Autor. Tendo a missão de aprimorar a criação no sentido de assemelhá-la mais a seu Criador (“façamos o homem (…); que ele reine (…) sobre toda a terra” – Gn 1,26), o homem precisa ter uma visão de conjunto do universo. Por outro lado, pelas próprias obras da criação pode o homem crescer no conhecimento de Deus. São dois lados de uma mesma moeda. Conhecendo o universo, o homem distila uma certa imagem de Deus; e conhecendo a Deus e ao universo, o homem pode melhor embelezar a este para torná-lo mais semelhante Àquele.

    “As criaturas, e sobretudo os ‘bloques’ de criaturas, são, pelo mais profundo de seu ser, uma ‘palavra’ que Deus pronuncia sobre si mesmo 1”.

    O principal serviço que as criaturas prestam ao homem consiste em ajudá-lo a conhecer a Deus, mas esta ajuda só será efetiva si se fundamenta no conhecimento verdadeiro das criaturas mesmas. Assim, naturalmente, o pior erro, neste caso, seria de prescindir de sua própria existência. É o que acontece com os anjos.

    Ao afirmar pouco adiante que “numerosas ‘teologias’ tendem a prescindir dos anjos, como si estes fossem somente representações ‘míticas’ ou expressões simbólicas”, o Pe. Bandera lamenta que hoje “se dá uma imagem de Deus tão à medida do homem, tão exageradamente antropomórfica, que para aquele que raciocine serenamente lhe resultará impossível reconhecer nela o verdadeiro Deus. Um olhar aos anjos preservaria destes antropomorfismos deformantes 2”.

    Muito pelo contrário de tudo isto, a mente de São Tomás era ampla demais para aceitar estes “cortes” na obra da Criação. Ele sempre a considerou como um todo harmônico, à imagem da Eterna Beleza, onde os anjos – criaturas muito mais perfeitas, porque mais próximas de Deus – tem um papel fundamental e insubstituível. Para São Tomás, os anjos são antes de mais nada algo como uma parte integrante do mistério cristão global, que sem eles perderia um valioso ponto de referência para ser compreendido em profundidade. Pensar sobre os anjos na base do “útil” para o homem é incapacitar-se de antemão para julgar com acerto, porque a Criação foi feita por Deus, e para Deus; desde o ponto de vista cristão, o verdadeiramente “útil” é acolher o plano de Deus tal como Ele mesmo o desenhou na sua sabedoria infinita.

    Mas, conhecemos este projeto? Em que consiste? Tem mais de um plano? Quantos são? E como se harmonizam entre si? Este é o tema do próximo artigo… Acompanhe aqui o conteúdo da matéria na íntegra, e continue conosco, até a próxima semana… “sob a proteção dos Santos Anjos”!

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    NOTAS ————————————————————

    1. Armando Bandera González, Introdução às questões 50 a 64, p. 492.

    2. Armando Bandera González, Introdução às questões 50 a 64, p. 493.


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